15/09/2018

CRÍTICA | TOKYO GHOUL

Fawkes
Fawkes
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© “Tokyo Ghoul” Film Partners © Sui Ishida/Shueisha

Adaptação cinematográfica do mangá de Sui Ishida é visualmente interessante, mas sofre com o excesso de conteúdo pouco aprofundado.

Kaneki Ken é um jovem universitário. Tímido, contido, curvado, que prioriza voltar sua atenção para o que é contado em livros ao invés de viver aventuras ao vivo. Certa vez, influenciado por seu melhor amigo, consegue quebrar essa redoma e se aproximar da menina que já lhe chamava atenção há tempos. A realidade começava a tomar cores interessantes além das possibilidades da ficção quando, levando sua garota embora após um encontro, o primeiro contato físico do casal, idealmente retirável de páginas românticas, mostrou-se mais familiar a contos de horror.

Sua acompanhante era um ghoul, criatura que se alimenta de carne humana, espécie temida nas redondezas por fazer vítimas constantes. Tentando devorar Kaneki, vários órgãos do rapaz são feridos durante o ataque. No entanto, o jogo vira ao, por acaso do destino, sua executora sofrer um acidente antes de finalizar a caça. Para salvá-lo, um médico questionável decide transplantar órgãos da executora no garoto, de modo a substituir os afetados durante o momento – criando um híbrido inédito entre humano e besta.

Esse é o ponto de partida para Tokyo Ghoul (Kentaro Hagiwara), adaptação cinematográfica do mangá de mesmo nome do autor Sui Ishida, publicado originalmente em 14 edições entre 2011 e 2014, também já adaptado em um anime de 12 episódios, rendendo continuações em ambas as mídias, materiais exclusivos diretamente para vídeo, jogos, peça de teatro.

© “Tokyo Ghoul” Film Partners © Sui Ishida/Shueisha

O longa leva às telonas alguns segmentos do enredo principal e vários dos signos visuais contidos nas páginas do quadrinho e nos frames do anime. As cenas não se limitam a replicar o realismo diário, optando por cores mais caricatas em tela, por caracterizações cênicas e figurinos cartunescos. O penteado de um policial que extermina ghouls, um designer gótico de máscaras num ateliê esfumaçado, o melhor amigo colorido: todos ícones que estabelecem a seriedade com que a trama deve ser levada. Com devidas proporções orçamentárias, lembra os “Batman” assinados pelo Joel Schumacher nesse esforço visual.

E enquanto tal transposição de mídias (ser uma “animação em live-action”) facilita aceitar tanto atuações ligeiramente exageradas de boa parte do elenco, quanto momentos onde a precariedade dos efeitos especiais e do cgi são mais evidentes, já que parte da diversão é estar imerso nisso, o mesmo não pode ser dito do excesso de gordura no roteiro. Infelizmente, as quase 2 horas do filme não foram suficiente para adaptar com a devida profundidade o tanto de material selecionado para isso. São histórias demais para tempo de menos (o protagonista se tornando um monstro que come gente; um conflito com um ghoul local que ataca seu amigo; conhecer o funcionamento do submundo o qual foi recém inserido; um conflito policial envolvendo uma família de ghouls pacifistas).

© “Tokyo Ghoul” Film Partners © Sui Ishida/Shueisha

A tentativa de explorar o máximo possível de acontecimentos não permitiu que os arcos narrativos mergulhassem a fundo nos pesares emocionais que tais situações pediam. Em poucos minutos, Kaneki está totalmente adequado a sua situação monstruosa, transição que levou quase um filme inteiro para ser realmente crível em A Mosca (David Cronenberg, 1986) e vários episódios na série Santa Clarita Diet(Netflix, 2017-2018), exemplificando. Fica difícil se importar de verdade com o tanto de personagens colocados, sendo que não há tempo de desenvolvê-los corretamente, dar camadas, tons de cinza ao que dita suas motivações.

A jornada do Kaneki passa de se descobrir numa nova espécie para se tornar um herói e defender companheiros que ele mal teve tempo de criar intimidade. Assistir Tokyo Ghoul nesse filme é como ver episódios resumidos de uma série costurados entre si. Não chega a ser uma experiência de toda ruim. Como citado, a caracterização ajuda bastante a grifar que o foco principal é a diversão, as cenas de ação são todas interessantes, as lutas são muito boas. Mas teria uma cara maior de cinema caso usassem esse mesmo tempo de duração para se aprofundarem em apenas metade das ideias de roteiro selecionadas.

Exibições:

Espaço Itaú de Cinema: 15 de setembro – 17h30
Cinépolis: 19 de setembro – 19h30
Cineflix: 21 de setembro – 19h30

Classificação indicativa: 16 anos
Diretor: Kentaro Hagiwara
Duração: 119 minutos
Dublado em português

Mais informações:[Aqui]

Sinopse oficial: Baseado no mangá de sucesso do autor Sui Ishida, publicado no Brasil pela Panini, Tokyo Ghoul narra a história de um tímido estudante universitário de Tóquio, Kaneki Ken, que marca um encontro com uma garota. Enquanto estão em um parque vazio, ela o ataca, mas ele consegue fugir. Logo Ken descobre que está passando por mudanças e se torna um carniçal, um ser poderoso que se alimenta de carne humana. Conforme aprende a viver com sua nova condição, ele conhece alguns amigos e passa a viver com eles. No entanto, eles passam a ser caçados incansavelmente por dois policiais da divisão Ghoul, que tem uma simples missão: dar cabo de todos os carniçais da região.

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